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17 de fev. de 2013

De Crianças e Borboletas ao Vento


A mais bela transcrição de lembranças minhas, grata, Ezequiel Rodrigues...


Aos seis anos toda menina é princesa, fada, sereia ou estrela. Capaz de romper barreiras, dar voltas ao mundo enfrentando os mais temíveis vilões, sorrindo ao fazê-lo. Eu tive seis anos e um coração ingênuo e generoso, ordinário a todos nessa idade.


Minha memória é bastante peculiar. Dizem-na extraordinária arrancando-me risos. Pois, para mim, todos trazem consigo as suas mais marcantes lembranças. Aquelas que avultam-se na alma.


A imaginação de uma criança é incomensuravelmente fértil. Àquela época, eu acreditava que as árvores do nosso Vale sentiam frio, quando “depenadas” pelo vento. No outono eu lamentava as folhas caídas, por acreditar que as árvores sofriam por estas perdas. Muitas vezes ao perceber uma leve brisa agitar os galhos eu chorava, corria para os braços da minha avó aos prantos. Exigia dela uma solução urgente para o porvir, pois sempre depois das brisas seguiam-se tempestades e árvores nuas.
Não adiantavam as explicações dos meus avós sobre “a renovação da natureza e da vida”, pois lá estavam as minhas árvores amigas, todas nuas, com frio e a “culpa” era do vento.



Entretanto, houve uma tarde de domingo em que o vento fez-se amigo. Foi quando o meu pai levou-me a mim, a minha irmã Jas e o meu irmão José em visita à casa de um conhecido da família. Era um senhor áspero com as palavras e seu timbre estava sempre acima dos demais. Usava roupas escuras e um chapéu medonho. Seu nome: Sr. Sven.
Mesmo apavorados, pois temíamos àquele senhor, eu e meus irmãos lá estávamos acompanhando nosso pai. Parados diante da porta do “velho da capa”, desejávamos que esta permanecesse trancada e pudéssemos voltar para casa onde estaríamos protegidos. Mas não aconteceu, o velho surgiu sorridente, cumprimentou o meu pai e nos convidou a entrar.


Ficamos, por alguns minutos parados, avaliando os riscos de sairmos de perto do nosso pai. Mas, como disse, criança é sempre audaciosa, valente e enfrenta todos os medos em nome de uma boa aventura ou de livrarem-se da companhia indesejável de alguém que as assombre.
Fomos saindo, um a um, como se não quiséssemos levantar suspeitas sobre nossas ações, caminhamos para fora da casa e respiramos aliviados. Estávamos livres dos “gritos” e da imagem daquela figura ímpar.

Percebemos uma porta aberta, na lateral da casa e, depois de uma longa discussão, resolvemos investigar o que ele fazia, cheios de medo adentramos, mais uma vez, na casa velha e mofada.
Ouvíamos sons de pássaros e uma música tocada ao longe, olhamo-nos e cheios de cumplicidade, subimos a escadaria de madeira que levava ao sótão.


O José desistiu na metade do caminho, por ser o mais velho levaria toda a culpa da intromissão e invasão da propriedade alheia, decerto, meu pai dar-lhe-ia castigo merecido por colocar-nos, a minha irmã e eu, em perigo. Contudo, para nós, o perigo, naquele momento rodeava o nosso pai, por estar tão próximo do Velho da Capa, comedor de gente e animais.
Quando chegamos à porta do sótão, respiramos fundo e entramos, fácil assim. A visão daquele momento é, até hoje, a cena mais impressionante que já vivi. O cheiro forte, a penumbra, as janelas cerradas, uma pequena escrivaninha, estantes de madeira escura atulhadas de objetos nunca dantes vistos por nós, uma mesa enorme e sobre esta, muitos livros e frascos com insetos “moooortos...”.


No canto, um piano tocando sozinho, como se orquestrado por um fantasma. As notas eram agudas e frias como aquela tarde de Outono. A Jas ameaçou entoar um grito e eu abracei-a forte dizendo-lhe “eu protejo-te”. Corri até a janela e consegui afastar as cortinas, permitindo a entrada de um pouco de luz. Quando olhei para o interior da sala, agora mais iluminado e vi todas aquelas borboletas aprisionadas, o grito partiu de mim.
Muitas estavam mortas, ressecadas, cravadas por pequenos “pregos” sobre pedaços de madeira bem finos. Outras flutuavam em frascos cheios de um líquido que fazia os meus olhos arderem. A Jas chamou-me baixinho e apontou uma pequena gaiola onde muitas borboletas esvoaçavam desesperadas.


Não pensei, por instinto de liberdade que sempre habitou a minh’alma, abri a gaiola e as borboletas espalharam-se pelo sótão. Corremos para a janela e com muito esforço conseguimos abri-la... Ahhh….esta lembrança traz-me um sorriso à alma…
As borboletas voavam em direção à luz, havia uma leve brisa que aos poucos transformava-se em um vento mais forte que ajudava-lhes no voo, era o fim do cativeiro. Estavam todas livres e nós sorríamos felizes.


Descemos a escadaria em velocidade assustadora correndo para o jardim. Olhávamos para o alto e víamos borboletas espalhando-se por todos os cantos. O José juntou-se a nós a sorrir, pular e aplaudir o evento que batizamos de A Fuga das Borboletas. Naquela ocasião o vento tornara-se meu amigo.
Não tenho lembrança de um castigo severo por termos cometido tamanha infração. Ouvi da minha avó que nós éramos crianças valentes e ganhamos doces, cookies e chocolates. E eu sorria feliz ao ouvir meu pai dizendo-me a mim que “Isso tudo só pode ser ideia sua, Isabelle.” Ele estava certo.
Com o tempo a minha família e alguns amigos chamaram-me a mim de Farfalla. Sempre sorrio, em Minh’alma por lembrar-me daquele tarde.
...



16 de nov. de 2012

Despedida e aprendizado.


Há dois dias despedi-me de mais um companheiro nesta guerra infame contra a leucemia. Por alguns instantes pensei em quanto tempo ainda restar-me-á até que eu também sucumba nesta guerra... Contudo, disperso este pensamento e sorrio, pois é isto que faz-se necessário quando nos é dado a oportunidade de viver mais um dia. 
Há algumas semanas eu estava em situação crítica e ele, sorridente, disse-me a mim: 
“Se vais extinguir-se hoje, faço-o orgulhando-se de algo bom, é melhor partir assim.” Sorrimos juntos... Sempre sorríamos juntos.
Pois bem, meu caro Guerreiro chinês, eu tenho do que orgulhar-me a mim e assim o farei, prometo! 

Dos meus orgulhos: Eu tenho orgulho de jamais ter acusado alguém de forma irresponsável ou leviana, se o fiz, sempre estive resguardada por provas irrefutáveis. 
Quem não as obteve o fez por desejo próprio ou por escolher o benefício da dúvida. Respeito-os. 



Never forget you!!! Your The Big Buddha, Lantau - China

17 de jul. de 2011

Acerca de crianças e Borboletas ao vento.


A minha memória é bastante peculiar, dizem-na extraordinária arrancando-me risos, pois, para mim, todos trazem consigo as suas mais marcantes lembranças. Aquelas que sobressaem, que avultam-se na alma.
Comigo não faz-se distinto, tornando-me assim uma pessoa comum, com memória viva e feliz por estas lembranças, mesmo quando sofríveis.

Aos seis anos toda menina é uma princesa, uma fada, uma sereia, uma estrela. Capaz de romper mundos, barreiras, de enfrentar os mais temíveis vilões e sorrir ao fazê-lo. Eu tive seis anos e não fugi a esta regra.
 A imaginação de uma criança é fértil, imensurável. Eu, por exemplo, acreditava que as árvores do nosso Vale sentiam frio, quando “depenadas” pelo vento. Chegando ao ponto de maldizer-lhe, muitas e muitas vezes.

Era outono, época em que meu coração ingénuo e generoso, ordinário à todos nesta idade, lamentava as folhas caídas, por acreditar que as árvores sofriam por estas perdas. Muitas vezes ao perceber uma leve brisa agitar os galhos eu chorava, corria para os braços da minha avó aos prantos. Exigindo dela uma solução urgente para o porvir, pois sempre depois das brisas seguiam-se tempestades e as árvores nuas.

Não adiantava ouvir com atenção às explicações, dos meus avós, sobre “a renovação da natureza e da vida”, pois lá estavam as minhas árvores amigas, todas nuas, com frio  e a “culpa” era do vento.
Entretanto, numa tarde de domingo, o meu pai levou-nos em visita à casa de um amigo da família. Tínhamos medo dele, era áspero com as palavras, o seu timbre estava sempre acima dos demais, usava roupas escuras e um chapéu medonho, o Sr. Sven.

Mas, lá estávamos; mesmo que apavorados; eu, a minha irmã jas e o meu irmão José. Parados diante da porta dele, à espera que esta permanecesse trancada e pudéssemos voltar para casa onde estaríamos protegidos do “Velho da Capa”, Sr. Svan. Mas não aconteceu, ele surgiu sorridente, cumprimentou o meu pai e nos convidou a entrar.

Ficamos, por alguns minutos, parados, avaliando os riscos de sairmos de perto do nosso pai. Mas, como disse, criança é sempre audaciosa, valente e enfrenta todos os medos em nome de uma boa aventura ou de livrarem-se da companhia indesejável de alguém que as assombre.

Fomos saindo, um a um, como se não quiséssemos levantar suspeitas sobre nossas ações, caminhamos para fora da casa e respiramos aliviados. Estávamos livres dos “gritos” e da imagem daquela figura ímpar.
Percebemos uma porta aberta, na lateral da casa e, depois de uma longa discussão, resolvemos investigar o que ele fazia, cheios de medo adentramos, mais uma vez, na casa velha e mofada.
Ouvíamos sons de pássaros e uma música tocada ao longe, olhamo-nos e cheios de cumplicidade, subimos a escadaria de madeira que levava ao sótão.

O José desistiu na metade do caminho, por ser o mais velho levaria toda a culpa da intromissão e invasão da propriedade alheia, decerto, meu pai dar-lhe-ia castigo merecido por colocar-nos, a minha irmã e eu, em perigo. Contudo, para nós, o perigo, naquele momento rodeava o nosso pai, por estar tão próximo do Velho da Capa, comedor de gente e animais.

Quando chegamos à porta do sótão, respiramos fundo e entramos, fácil assim. A visão daquele momento é, até hoje, a cena mais forte que já vivi. O cheiro forte, a penumbra, as janelas cerradas, uma pequena escrivaninha, estantes de madeira escura atulhadas de objetos nunca dantes vistos por nós, uma mesa enorme e sobre esta, muitos livros, frascos com insetos “mortos”.

No canto, um piano tocando sozinho, como se orquestrado por um fantasma, as notas eram agudas e frias como o aquela tarde de Outono. A Jas ameaçou entoar um grito e eu abracei-a forte e disse-lhe: Eu protejo-te.
Corri até a janela e consegui afastar as cortinas, permitindo a entrada de um pouco de luz, mas, desta vez o grito partia de mim, quando olhei para o interior da sala, agora mais iluminado, e vi todas aquelas borboletas aprisionadas.

Muitas estavam mortas, ressecadas, cravadas por pequenos “pregos” sobre pedaços de madeira bem finos. Outras flutuavam em frascos cheios de um líquido que fazia os meus olhos arderem. A Jas chamou-me baixinho e apontou uma pequena gaiola onde muitas borboletas voavam desesperadas.

Não pensei, por instinto de liberdade que sempre habitou a minh’alma, abri-a e as borboletas espalharam-se pelo sótão. Corremos para a janela e conseguimos abri-la, com muito esforço.
Ahhh….esta lembrança traz-me um sorriso à alma…

As borboletas voavam em direção à luz, havia uma leve brisa que aos poucos transformava-se em um vento mais forte que ajudava-lhes no vôo, era o fim do cativeiro, estavam todas livres, naquela tarde de Domingo e nós, sorríamos felizes.

Descemos a escadaria numa velocidade assustadora, corremos para o jardim, olhávamos para o alto e víamos borboletas espalhando-se por todos os cantos. O José juntou-se a nós e sorria, pulava, aplaudia o nosso evento, chamamos: A Fuga das Borboletas, ajudadas pelo vento que tornara-se meu amigo.

Não tenho lembrança de um castigo severo por termos cometido tamanha infração, ouvi da minha avó que nós éramos crianças valentes e ganhamos doces, cookies e chocolates. O meu pai olhou-me a mim e disse: “Isso tudo só pode ser ideia sua, Isabelle.” Ele estava certo e eu sorria ao ouvir-lhe. Feliz.

Com o tempo a minha família e alguns amigos chamaram-me a mim de Farfalla. Sempre sorrio, em minh’alma por lembrar-me daquele tarde.

Ver-Diana


Regida pelo signo de Escorpião, eu sou fogo. Apaixonada por sexo. Sexo bem feito! E o “bem feito” é aquele ao nosso modo. Sem muita pressa. Com uma conquista diária. Como se fosse o primeiro dia e como se fosse acontecer pela última vez.

         Percebo-te sentada no sofá, estás a ler. Aquela sua concentração me excita. Você percebe que estou a te olhar, finge que nada está acontecendo e começa a mordiscar os lábios suavemente. Você sabe que isso me hipnotiza. Meus olhos grandes e verdes se perdem nos seus cabelos lisos e negros escorregando em seu rosto.

         Suavemente com as mãos tira os cabelos do rosto e pára de fazer cena. Olhas-me a mim e sorri como um anjo, como uma tarada, como um anjo tarado.  Suas bochechas ficam rosadas. Eu retribuo o sorriso e encaro-te com olhar de quem já te devora. De quem já passeia por seu corpo com mãos quentes e travessas.

         Levanto-me e caminho em sua direção. Você logo fica de pé e de costas para mim. Vejo sua nuca e fico ainda mais louca caminhando como uma leoa atrás de sua caça preferida, você sempre será a minha preferida.

         Chego perto, já sinto seu perfume. Encosto-me em ti, cheiro seu pescoço, desço por suas costas, sinto-me no paraíso. Desprendo seus cabelos e viro-te em minha direção. Colo meu rosto ao teu e faço leves atritos sentindo sua pele macia, enquanto minhas mãos tocam levemente sua cintura.

         Encosto meus lábios nos teus. Sinto o cheiro do seu batom. Ficamos por segundos imóveis. Posteriormente, degusto-lhe o beijo, com movimentos leves e intensos que se prolongam até sua orelha, sinto-te arrepiada. Você não suporta pressão e agarra-me com firmeza beijando-me ardentemente. Já sinto-me descabelada, suas mãos começam a passear eu meu corpo. Desabotoas minha camisa e tiras rapidamente a sua. Aperta-me junto a ti. Sinto os teus seios nos meus. Meu pensamento viaja naquele momento e quando volto já estamos totalmente despidas e famintas na cama.

       Nossas mãos passeiam, sinto seus mamilos intumescidos, rijos entre meus dedos. Toco-os delicadamente, e vejo em sua face o gosto do prazer. Admiro-te suada, seus cabelos colam na testa fico ainda mais maravilhada. Lanço-me em cima de ti e com a boca percorro seu corpo. Mordo-te levemente os mamilos e desço lentamente passando a língua em seu corpo até encontrar meu brinco preferido passando meus fartos seios em sua barriga.

       Cheguei! Como és linda! Não resisto nem por um minuto. Beijo-te nos grandes lábios e minha língua atrevida se apressa e começa a molhar-te.  Seu piercing gelado me leva a loucura, e vou ao céu quando me aperta com suas coxas grossas e fortes. Abro-te as pernas como escancaro as janelas numa manhã de domingo para ver o sol entrar e roço minha vergonha em sua vergonha, e não há vergonha que me impeça nesse atrito gostoso. Um vai e vem gostoso não falta-nos nada.

       Meus dedos nervosos não se contem e usando um penetro-te. Com a outra mão penetro-me a mim. Sinto o pulsar da sua vagina que parece acompanhar o meu desesperado coração que reage vorazmente aquela adrenalina. Acelero os dedos, acelera a pulsação, acelera o coração e o tempo pára. Eternizo aquele momento, é mais um único momento.

       Sinto que não agüentas mais tanto prazer. Novamente minha língua se delicia em sua vagina e você sussurra timidamente. A timidez logo dá lugar a gemidos com som crescente. Fico louca, desesperada ao ouvir-te, se o mundo for mesmo acabar que acabe agora. Estou a me masturbar ainda ouvindo-te. Nossos corpos suados, a temperatura queimava-nos, o calor interno emergira. E ouvindo você desesperada a gemer sinto percorrer em minha boca o produto final de nossa travessura e, não resistindo, gozo absurdamente, loucamente, apaixonadamente…

Gozo por ti, gozo a vida, gôzo de quem ama!
Gozaria somente em Ver-diana…

Jacques Manz