17 de fev. de 2013

De Crianças e Borboletas ao Vento


A mais bela transcrição de lembranças minhas, grata, Ezequiel Rodrigues...


Aos seis anos toda menina é princesa, fada, sereia ou estrela. Capaz de romper barreiras, dar voltas ao mundo enfrentando os mais temíveis vilões, sorrindo ao fazê-lo. Eu tive seis anos e um coração ingênuo e generoso, ordinário a todos nessa idade.


Minha memória é bastante peculiar. Dizem-na extraordinária arrancando-me risos. Pois, para mim, todos trazem consigo as suas mais marcantes lembranças. Aquelas que avultam-se na alma.


A imaginação de uma criança é incomensuravelmente fértil. Àquela época, eu acreditava que as árvores do nosso Vale sentiam frio, quando “depenadas” pelo vento. No outono eu lamentava as folhas caídas, por acreditar que as árvores sofriam por estas perdas. Muitas vezes ao perceber uma leve brisa agitar os galhos eu chorava, corria para os braços da minha avó aos prantos. Exigia dela uma solução urgente para o porvir, pois sempre depois das brisas seguiam-se tempestades e árvores nuas.
Não adiantavam as explicações dos meus avós sobre “a renovação da natureza e da vida”, pois lá estavam as minhas árvores amigas, todas nuas, com frio e a “culpa” era do vento.



Entretanto, houve uma tarde de domingo em que o vento fez-se amigo. Foi quando o meu pai levou-me a mim, a minha irmã Jas e o meu irmão José em visita à casa de um conhecido da família. Era um senhor áspero com as palavras e seu timbre estava sempre acima dos demais. Usava roupas escuras e um chapéu medonho. Seu nome: Sr. Sven.
Mesmo apavorados, pois temíamos àquele senhor, eu e meus irmãos lá estávamos acompanhando nosso pai. Parados diante da porta do “velho da capa”, desejávamos que esta permanecesse trancada e pudéssemos voltar para casa onde estaríamos protegidos. Mas não aconteceu, o velho surgiu sorridente, cumprimentou o meu pai e nos convidou a entrar.


Ficamos, por alguns minutos parados, avaliando os riscos de sairmos de perto do nosso pai. Mas, como disse, criança é sempre audaciosa, valente e enfrenta todos os medos em nome de uma boa aventura ou de livrarem-se da companhia indesejável de alguém que as assombre.
Fomos saindo, um a um, como se não quiséssemos levantar suspeitas sobre nossas ações, caminhamos para fora da casa e respiramos aliviados. Estávamos livres dos “gritos” e da imagem daquela figura ímpar.

Percebemos uma porta aberta, na lateral da casa e, depois de uma longa discussão, resolvemos investigar o que ele fazia, cheios de medo adentramos, mais uma vez, na casa velha e mofada.
Ouvíamos sons de pássaros e uma música tocada ao longe, olhamo-nos e cheios de cumplicidade, subimos a escadaria de madeira que levava ao sótão.


O José desistiu na metade do caminho, por ser o mais velho levaria toda a culpa da intromissão e invasão da propriedade alheia, decerto, meu pai dar-lhe-ia castigo merecido por colocar-nos, a minha irmã e eu, em perigo. Contudo, para nós, o perigo, naquele momento rodeava o nosso pai, por estar tão próximo do Velho da Capa, comedor de gente e animais.
Quando chegamos à porta do sótão, respiramos fundo e entramos, fácil assim. A visão daquele momento é, até hoje, a cena mais impressionante que já vivi. O cheiro forte, a penumbra, as janelas cerradas, uma pequena escrivaninha, estantes de madeira escura atulhadas de objetos nunca dantes vistos por nós, uma mesa enorme e sobre esta, muitos livros e frascos com insetos “moooortos...”.


No canto, um piano tocando sozinho, como se orquestrado por um fantasma. As notas eram agudas e frias como aquela tarde de Outono. A Jas ameaçou entoar um grito e eu abracei-a forte dizendo-lhe “eu protejo-te”. Corri até a janela e consegui afastar as cortinas, permitindo a entrada de um pouco de luz. Quando olhei para o interior da sala, agora mais iluminado e vi todas aquelas borboletas aprisionadas, o grito partiu de mim.
Muitas estavam mortas, ressecadas, cravadas por pequenos “pregos” sobre pedaços de madeira bem finos. Outras flutuavam em frascos cheios de um líquido que fazia os meus olhos arderem. A Jas chamou-me baixinho e apontou uma pequena gaiola onde muitas borboletas esvoaçavam desesperadas.


Não pensei, por instinto de liberdade que sempre habitou a minh’alma, abri a gaiola e as borboletas espalharam-se pelo sótão. Corremos para a janela e com muito esforço conseguimos abri-la... Ahhh….esta lembrança traz-me um sorriso à alma…
As borboletas voavam em direção à luz, havia uma leve brisa que aos poucos transformava-se em um vento mais forte que ajudava-lhes no voo, era o fim do cativeiro. Estavam todas livres e nós sorríamos felizes.


Descemos a escadaria em velocidade assustadora correndo para o jardim. Olhávamos para o alto e víamos borboletas espalhando-se por todos os cantos. O José juntou-se a nós a sorrir, pular e aplaudir o evento que batizamos de A Fuga das Borboletas. Naquela ocasião o vento tornara-se meu amigo.
Não tenho lembrança de um castigo severo por termos cometido tamanha infração. Ouvi da minha avó que nós éramos crianças valentes e ganhamos doces, cookies e chocolates. E eu sorria feliz ao ouvir meu pai dizendo-me a mim que “Isso tudo só pode ser ideia sua, Isabelle.” Ele estava certo.
Com o tempo a minha família e alguns amigos chamaram-me a mim de Farfalla. Sempre sorrio, em Minh’alma por lembrar-me daquele tarde.
...



16 de nov. de 2012

Despedida e aprendizado.


Há dois dias despedi-me de mais um companheiro nesta guerra infame contra a leucemia. Por alguns instantes pensei em quanto tempo ainda restar-me-á até que eu também sucumba nesta guerra... Contudo, disperso este pensamento e sorrio, pois é isto que faz-se necessário quando nos é dado a oportunidade de viver mais um dia. 
Há algumas semanas eu estava em situação crítica e ele, sorridente, disse-me a mim: 
“Se vais extinguir-se hoje, faço-o orgulhando-se de algo bom, é melhor partir assim.” Sorrimos juntos... Sempre sorríamos juntos.
Pois bem, meu caro Guerreiro chinês, eu tenho do que orgulhar-me a mim e assim o farei, prometo! 

Dos meus orgulhos: Eu tenho orgulho de jamais ter acusado alguém de forma irresponsável ou leviana, se o fiz, sempre estive resguardada por provas irrefutáveis. 
Quem não as obteve o fez por desejo próprio ou por escolher o benefício da dúvida. Respeito-os. 



Never forget you!!! Your The Big Buddha, Lantau - China

4 de mai. de 2012

DiTudo


“Ressuscita-me! Quero viver até o fim o que me cabe! Para que o amor não seja mais escravo de concupiscência. Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro”. 
(Vladímir Maiakóvski)

2 de mai. de 2012

Música

Arles
(Chico & The Gypsies)


Porque ter Amigos é bom!



Se Queres Ser Minha
Seja capaz de amar sem mentir
Jogar sem medo de perder
Que tenha nos olhos o brilho da sinceridade
Que seja leal , não precisa ser fiel
Que tenha tempo de colher uma flor,
Apreciar uma paisagem, 
e sorrir ao ver uma criança
Que não seja alheia aos sofrimentos humanos
E que tenha em mente um futuro
Não precisa ser rica, mas que tenha a grande riqueza d'alma
Que não seja ciumenta ao extremo,
mas que também não me perca de vista.
Se queres ser minha, procura nas pequenas coisas
as grandes realizações
Que ao acordar não seja como tantos 
Que esquecem de perder um momento
por um beijo, um carinho, ou até mesmo um mimo
Que saiba dizer: Te Amo! Mesmo quando está de birra
Que me trate com dengos, mas nunca como posse
Que me veja como eu sou, e não como gostaria que fosse.
(Joelma Maba)

19 de abr. de 2012

Quereres


Eu quis muito de muitas coisas e pessoas distantes, quis com tal força, veemência, aspiração... que não atentei para o melhor querer, sempre ao meu lado: Você, Diana Bonatti.

14 de mar. de 2012

Recordando la vida de mi yayo..



*
El yayo fue' un abuelo que siempre me dio' amor,  
jamas hubiera dudado de su gran amor hacia mi.  
Cuando le decía que lo quería, el siempre contestaba diciendo "yo mas".   

Todos los recuerdos mas bonitos de mi niñez se los debo a el. 
Recuerdo las mejores navidades que una niña puede tener.  
La ilusión y la alegría al estar con el y con toda la familia. 
Los mejores regalos de navidad siempre me los hacia el (y la familia), hasta en los detalles,
siempre quería hacerme lo mas feliz posible.   

Era un hombre integro y ejemplar.
Recuerdo que una vez después de haberme reñido injustamente por algo, 
se humillo' delante de mi para pedirme perdón, y esa fue una lección de vida para mi.  
El echo de que un hombre mucho mas mayor que yo y en autoridad se humillara frente a una niña pequeña que se ve insignificante respecto a su abuelo, me mostro' el gran respeto que me tenia. 
Me hizo sentir importante a sus ojos,aunque fuera una niña, el me respetaba y me amaba de verdad. 
Fue una lección de humildad y respeto que jamas olvidare'.   

El yayo nos quería a todos con locura, y gracias a el crecí sabiendo lo que es el amor,
teniendo en mi vida un reflejo de lo que es el amor de Dios hacia nosotros.   

Mientras lo recordaba y miraba sus fotos en los días antes de su fallecimiento,
encontré esta foto y Dios me puso en el corazón que el yayo pronto volvería a esa sonrisa,
y para siempre. 

Le doy gracias a Dios por el regalo tan bonito que me hizo de tener al yayo en mi vida,
y sobretodo por la certeza que me da de volverlo a ver un día en el cielo.
No son palabras, no es algo que digo para consolarme,
sino es una certeza que no tiene explicación humana, que solamente me viene de Dios, 
una certeza tan fuerte que convierte momentos de tristeza en alegría..  

Te echare mucho de menos mi yayo, pero nos volveremos a ver algun dia en el cielo ! 

12 de mar. de 2012

Arrivederci Yayo


Arrivederci Yayo
a rivederci in Cielo
dove non più distanze e
malattie,
dove non più rimpianti e
nostalgie.

Questa vita, solo una strofa dell’eternità
che noi divideremo
noi ci riconosceremo
e l’affetto che ci lega resterà,
immutato.

Quando anche noi giungeremo alla mèta
ci rivedremo Yayo,
come se il tempo non fosse mai passato
senza che nulla sarà stato cancellato.

La morte, tra noi, solo una porta.

Diana Bonatti

Mi Yayo



Llego’ a su puerto mi Rey
En el dia 8 de marzo,
Un dia dedicado a las mujeres
Y esas mismas mujeres que amaste en tu vida
 siempre te extrañaran.

Me dejaste como un cielo del atardecer Yayo.
Te fuiste dejando un cielo de color rosa, azul y matiz pastel.
Tus ojos verdes y tu brillo…
Con una simple mirada tuya me sentía bella en tu reino
La dulzura te envolvía el corazón, la ternura caracterizaba tu ser y esa sonrisa….
Seguro es la misma de la de Dios.

Llego’ tu barco ayer a destino y subiste en el infinito mantel celestial.
De aquí’ Yayo, solo te puedo recordar, extrañar y querer siempre mas a mi lado…
Representaste para mi’ el amor de Papa Dios,  que quizás  realmente, solo es una “coma” comparada a la grandeza de Dios.

Me enseñaste un amor del cual nunca pude dudar,
Un amor incondicional, gigante y suficiente para mi
Un amor fuerte como la muerte Yayo…
T'estimo Molt y siempre viajaras dentro de mi'

Con todo mi Amor.

Ponme como un sello sobre tu corazón, como una marca sobre tu brazo: Porque fuerte como la muerte es el amor; duros como el sepulcro los celos; sus brasas, brasas de fuego, fuerte llama. Las muchas aguas no podrán apagar el amor,  Ni lo ahogarán los ríos. –Cantares 8:6

11 de set. de 2011

11 de Setembro de 2001...Dez anos depois.

Imagens da Internet

Não sou a favor de terrorismos, guerras ou quaisquer formas de violências. Sou contra a opressão e opressores. Quero para mim e para todos os seres uma vida de plena liberdade religiosa e cultura. 

Tenho visto, ao longo destes dias, cenas de comoção diante da “Invasão terrorista aos EUA” e não posso deixar de expressar os meus sentimentos às famílias de todas as vítimas inocentes de um Governo autoritário e megalomaníaco, o Governo dos EUA. 

Diante de tudo o que aprendi ao estudar História Geral e Antropologia Cultural, bem como, o que vivenciei durante as viagens que fiz, sinto-me compelida a citar a frase que aprendemos quando ainda crianças, mas que poucos acreditam: “Quem planta um dia há de colher”. 

Não podemos esquecer todos os feitos, no mínimo sombrios, deste país que hoje chora os seus mortos e a invasão sofrida em Setembro de 2011. 

Em 1846, o governo dos EUA invade o México e tomam para si o estado do Texas, aumentando imensamente o seu território em ¼, é o que diz-se, e deixando para trás um povo devastado e humilhado por uma guerra, até hoje, cercada de dúvidas morais. E um país sem metade de suas terras. 

Em 06 e 09 de Agosto de 1945, sob a ordem do então presidente Harry S. Truman, as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, sofreram o primeiro ataque nuclear da história da humanidade, sendo este, o primeiro passo dado em direção às armas de destruição em massa. Deixando um saldo de mais de 200 mil mortos e uma herança cancerígena naquela população. 

Em 1959 o mundo assiste apático, à invasão dos EUA ao Vietnã, chamada, pelos vietnamitas, “Guerra Americana”, pois não existiam razões aparentes, que não a diferença cultural entre dois povos daquele país. O Governo dos EUA não recebeu apoio da própria população, mas mantiveram-se em guerra até Abril de 1975. Mais uma vez utilizou-se armas de destruição em massa, o Agente Laranja e as Bombas Incendiárias, matando, neste período de guerra mais de 1,5 milhão de vietnamitas. 

Em 1954, depois de sofrerem derrota contra o Governo de Cuba, fazem promoção contra o comunismo e auxiliam governos de países latinos americanos a darem golpes de estado, financiando assim, um regime de ditadura militar em vários países, colaborando com estes para que houvesse “ordem” em suas regiões. Em nome desta “ordem contra o comunismo” o Governo dos EUA financia torturas, desaparecimentos, assassinatos de vários cidadãos nos países sitiados e elaboram a “Operação Condor”, para que ninguém escapasse dos países de origem e se o fizessem fossem capturados e entregues aos seus algozes. 

Em 1980, o então presidente Ronald Reagan apóia e colabora com o Governo do Iraque para que este invada o Irã, seu inimigo, e promove-se mais uma guerra...e depois disto, promoveram tantas outras (Guerra do Golfo, Guerra do Iraque, Guerra do Afeganistão).


Portanto, para mim, o dia 11 de Setembro, é tão somente um lembrete de que todas as nossas ações, um dia, ser-nos-ão cobradas. Felicitem-se, pois, diante de tamanha miséria que espalharam pelo mundo, a “conta” não foi tão grande assim.

Meus pesares aos familiares das vítimas dos cidadãos norte-americanos e, também, às centenas de milhares de vítimas destes.

21 de jul. de 2011

Isabelle Zaranza Áragon


Por Tu Amor

"He venido a decirte
Que te sigo queriendo
He venido a decirte
Que te sigo amando

Que quiero estar contigo
Quiero ir mas y mas

He venido a decirte
Que nada ni nadie
Podra separarme
Ni podra arrancarme

De mi alma tu amor
Tu amor

Soy capaz
De inventar la manera
Por tu amor
Soy capaz
De dar mi vida entera

He venido a decirte
Que te sigo amando
Que te sigo queriendo
Que quiero estar contigo

Cada dia mas y mas
Cada dia mas y mas
Cada dia mas y mas..."

(Amaury Gutierrez)

DiBonatti

Porque ter a Bia é BOMMMMM....MUITO BOM !!! .


Morena Raiz - Tribo de Jah

Ela é bonita no seu jeito normal de ser
Morena raiz, natural, sensual quase sem querer
Mulher-menina maneira, não tem frescura
Flor nordestina do amor, da cor da doçura
Morena raiz
Menina, mulher verdadeira
Morena raiz
Maninha, te ver me faz viver

Me faz feliz a vida inteira.
Tão longe, quanto estou
Tão longe distante da estrada
Distante, em algum instante

Quando eu lembro
Você sorrindo,
Não há mais nada
Nada mais lindo
Que contemplar
A beleza límpida
Sem mentira
A beleza simples
A luz cristalina do teu olhar

Tão longe, mesmo quando estou
Tão longe, lembra é um conforto

Pensar em voltar, parar em teu porto
Te abraçar
Ficar bem juntinho
Coração com coração
Batendo apertadinho
Beijando o teu beiço carnudo e dançando
Agarradinho
Um reggae rolando
Os pés deslizando no chão
A mente delirando de satisfação.

.....................................
Nós te amamos, Biaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.....

25 fatos importantes sobre os meus Amigos


Pessoas a quem muito amo, por quem tenho grande respeito e admiração, de quem não esqueço-me, nem por um segundo.
Fazem-me a mim feliz, embora, creio, não façam ideia do tanto. Sou-lhes muito grata. Muito. Portanto, digo-vos, o tanto de amor devoto-lhes em todos os idiomas que conheço.

1. Amo-vos.

2. I Love you.

3. Yo lo amo.

4. Io L'amo.

5. Je vous aime.

6. Ich liebe Sie.

7. Et vull.

8. Amo-vos.

9.  I Love you.

10. Yo lo amo.

11. Io L'amo.

12. Je vous aime.

13. Ich liebe Sie.

14. Et vull.

15. Amo-vos.

16. I Love you.

17. Yo lo amo.

18. Io L'amo.

19. Je vous aime.

20. Ich liebe Sie.

21. Et vull.

22. 1 Amo-vos.

23. I Love you.

24. Yo lo amo.

25. Io L'amo.

Porque ser Perua é bom


Não sou alguém afeito aos dramas, nunca o fiz. Quando não consigo realizar os meus anseios ou façam escolhas distintas, respeito-as, sem lamúrias.

Já fiz de meus dias tristeza, por escolha própria, mas nestes tempos desconhecia a intensidade de Amor que devotam-nos a nossa família e amigos.

Hoje, tento, com as forças que ainda restam-me a mim, ser forte, despertar-me diariamente renovada em esperança e fé. Sim, eu tenho fé e quando está abala-se em mim sombreio os meus pensamentos com nuances de rosa, lilás, verde e azul, as cores da minha infância. Os meus melhores tempos.

Deparo-me a mim refém de uma realidade difícil, mas não mais que tantas outras e, assim sendo, dou-me a mim o direito real de escolher como viver nestes tempos. Escolho fazê-lo sem dramas.

É, eu sou feliz, descobri como viver reconhecendo o Amor que sinto; o meu coração enche-se de alegrias e eu sorrio e grito, pois não sou dramática, mas sou Perua.

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
“Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: deus te mandou um presente: o amor.
Por isso, preste atenção nos sinais – não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.”
(Carlos Drummond de Andrade)

Por Diana, o meu amor.
No final da tarde de domingo, creio, passeávamos pela praia, a Di e eu, estávamos a falar sobre uma tese que ela insiste em fazer-me a mim entender, mas para os meus neurônios pensadores de panelas e afins, é assunto complexo por demais.

Em um momento estávamos a sorrir e noutro eu estava no chão aos gritos com um cão enorme sobre mim, uma verdadeira fera, pensei.

Deixei cair uma bolinha que sempre carrego e com a qual faço exercícios nas mãos, a Di foi buscá-la, para isto adiantou-se em alguns passos e quando agachava-se para pegá-la na areia eu percebi um cão enorme e feroz a correr em sua direção.

Fiquei paralisada por alguns segundos, tentando buscar uma saída para que ela ficasse em segurança e encontrei-a, corri com todas as minhas forças e coloquei-me a mim à frente dela, para que o cão viesse ao meu encontro em primeiro ataque, dando-lhe a chance de defesa.

Eu ouvia gritos, o choro urgente e desesperado da Di e, segundos depois, um latir brando, amigável. Não era o cão feroz que percebi, era enorme e assustador à distância, mas nada, além disto, era um Labrador que percebeu-nos e quis brincar, Laila é o seu nome.

Enquanto não tínhamos a certeza do comportamento dócil do cão eu pensei: deve ser esta a impressão que temos quando as tragédias acontecem, quando percebemo-nos, estamos ali, sem controle algum sobre os acontecimentos.

Contudo, restou-me a mim o soldo desta bravata: dores lombares, dores estomacais, dores de cabeça e mais uma internação…
Mas, percebi quão grande e devoto é amor que sinto por Diana Bonatti, dar-lhe-ia a minha vida se preciso fosse, tantas vezes quanto necessário. Sempre.

Menina Feia


Do outro lado do mundo dorme uma menina feia
Bella é seu nome
acorda Feia
que os ouvidos do mundo entristecem sem teus gritos
acorda amanhã com o sol acordando nos horizontes que ainda não vistes
acorda essa noite que o céu não precisa de mais estrelas.
Do outro lado do mundo dorme uma bela menina feia
acorda Feia
que em Páscoa ainda te esperam os Moais
e aqui, do outro lado do mundo,
esperamos que tu acordes
e corras a pular muros,
e cruzando fronteiras,
e voando de céu em céu
chegues a todos os lugares
e em todos eles escrevas com batom, giz e navalhas
nos espelhos, paredes e árvores:
aqui esteve uma menina feia
que hoje acordou com vontade de viver!
(Ezequiel Rodrigues)

19 de jul. de 2011

Credo dos Otimistas

Eu prometo à mim mesmo:
Ser tão forte que nada poderá atrapalhar minha paz de espírito.
Falar apenas de saúde, felicidade, e prosperidade para cada pessoa que eu encontrar.
Fazer todos os meus amigos sentirem que há algo de valor dentro deles.
Ver o lado positivo de tudo e fazer meu otimismo se tornar real.
Pensar apenas sobre o melhor, trabalhar apenas para o melhor e esperar apenas o melhor.
Ser tão entusiasmado com o sucesso dos outros quanto eu sou para o meu próprio sucesso.
Esquecer os enganos do passado e me concentrar apenas nas maiores realizações do futuro.
Vestir uma expressão de alegria todo o tempo e sorrir para toda criatura viva que eu encontrar.
Direcionar todo meu tempo para me melhorar de maneira a não sobrar tempo para criticar os outros.
Ser grande demais para preocupar-me, nobre demais para ter raiva, forte demais para ter medo, e feliz demais para permitir a presença de problemas.
Pensar o melhor de mim mesmo, e anunciar isso ao mundo, não em palavras ruidosas, mas sim em grandes ações.
Viver na fé de que o mundo inteiro está do meu lado, à medida em que sou sincero e verdadeiro quanto àquilo que há de melhor em mim.
Assim seja!
(Christian D. Larson)

17 de jul. de 2011

Acerca de crianças e Borboletas ao vento.


A minha memória é bastante peculiar, dizem-na extraordinária arrancando-me risos, pois, para mim, todos trazem consigo as suas mais marcantes lembranças. Aquelas que sobressaem, que avultam-se na alma.
Comigo não faz-se distinto, tornando-me assim uma pessoa comum, com memória viva e feliz por estas lembranças, mesmo quando sofríveis.

Aos seis anos toda menina é uma princesa, uma fada, uma sereia, uma estrela. Capaz de romper mundos, barreiras, de enfrentar os mais temíveis vilões e sorrir ao fazê-lo. Eu tive seis anos e não fugi a esta regra.
 A imaginação de uma criança é fértil, imensurável. Eu, por exemplo, acreditava que as árvores do nosso Vale sentiam frio, quando “depenadas” pelo vento. Chegando ao ponto de maldizer-lhe, muitas e muitas vezes.

Era outono, época em que meu coração ingénuo e generoso, ordinário à todos nesta idade, lamentava as folhas caídas, por acreditar que as árvores sofriam por estas perdas. Muitas vezes ao perceber uma leve brisa agitar os galhos eu chorava, corria para os braços da minha avó aos prantos. Exigindo dela uma solução urgente para o porvir, pois sempre depois das brisas seguiam-se tempestades e as árvores nuas.

Não adiantava ouvir com atenção às explicações, dos meus avós, sobre “a renovação da natureza e da vida”, pois lá estavam as minhas árvores amigas, todas nuas, com frio  e a “culpa” era do vento.
Entretanto, numa tarde de domingo, o meu pai levou-nos em visita à casa de um amigo da família. Tínhamos medo dele, era áspero com as palavras, o seu timbre estava sempre acima dos demais, usava roupas escuras e um chapéu medonho, o Sr. Sven.

Mas, lá estávamos; mesmo que apavorados; eu, a minha irmã jas e o meu irmão José. Parados diante da porta dele, à espera que esta permanecesse trancada e pudéssemos voltar para casa onde estaríamos protegidos do “Velho da Capa”, Sr. Svan. Mas não aconteceu, ele surgiu sorridente, cumprimentou o meu pai e nos convidou a entrar.

Ficamos, por alguns minutos, parados, avaliando os riscos de sairmos de perto do nosso pai. Mas, como disse, criança é sempre audaciosa, valente e enfrenta todos os medos em nome de uma boa aventura ou de livrarem-se da companhia indesejável de alguém que as assombre.

Fomos saindo, um a um, como se não quiséssemos levantar suspeitas sobre nossas ações, caminhamos para fora da casa e respiramos aliviados. Estávamos livres dos “gritos” e da imagem daquela figura ímpar.
Percebemos uma porta aberta, na lateral da casa e, depois de uma longa discussão, resolvemos investigar o que ele fazia, cheios de medo adentramos, mais uma vez, na casa velha e mofada.
Ouvíamos sons de pássaros e uma música tocada ao longe, olhamo-nos e cheios de cumplicidade, subimos a escadaria de madeira que levava ao sótão.

O José desistiu na metade do caminho, por ser o mais velho levaria toda a culpa da intromissão e invasão da propriedade alheia, decerto, meu pai dar-lhe-ia castigo merecido por colocar-nos, a minha irmã e eu, em perigo. Contudo, para nós, o perigo, naquele momento rodeava o nosso pai, por estar tão próximo do Velho da Capa, comedor de gente e animais.

Quando chegamos à porta do sótão, respiramos fundo e entramos, fácil assim. A visão daquele momento é, até hoje, a cena mais forte que já vivi. O cheiro forte, a penumbra, as janelas cerradas, uma pequena escrivaninha, estantes de madeira escura atulhadas de objetos nunca dantes vistos por nós, uma mesa enorme e sobre esta, muitos livros, frascos com insetos “mortos”.

No canto, um piano tocando sozinho, como se orquestrado por um fantasma, as notas eram agudas e frias como o aquela tarde de Outono. A Jas ameaçou entoar um grito e eu abracei-a forte e disse-lhe: Eu protejo-te.
Corri até a janela e consegui afastar as cortinas, permitindo a entrada de um pouco de luz, mas, desta vez o grito partia de mim, quando olhei para o interior da sala, agora mais iluminado, e vi todas aquelas borboletas aprisionadas.

Muitas estavam mortas, ressecadas, cravadas por pequenos “pregos” sobre pedaços de madeira bem finos. Outras flutuavam em frascos cheios de um líquido que fazia os meus olhos arderem. A Jas chamou-me baixinho e apontou uma pequena gaiola onde muitas borboletas voavam desesperadas.

Não pensei, por instinto de liberdade que sempre habitou a minh’alma, abri-a e as borboletas espalharam-se pelo sótão. Corremos para a janela e conseguimos abri-la, com muito esforço.
Ahhh….esta lembrança traz-me um sorriso à alma…

As borboletas voavam em direção à luz, havia uma leve brisa que aos poucos transformava-se em um vento mais forte que ajudava-lhes no vôo, era o fim do cativeiro, estavam todas livres, naquela tarde de Domingo e nós, sorríamos felizes.

Descemos a escadaria numa velocidade assustadora, corremos para o jardim, olhávamos para o alto e víamos borboletas espalhando-se por todos os cantos. O José juntou-se a nós e sorria, pulava, aplaudia o nosso evento, chamamos: A Fuga das Borboletas, ajudadas pelo vento que tornara-se meu amigo.

Não tenho lembrança de um castigo severo por termos cometido tamanha infração, ouvi da minha avó que nós éramos crianças valentes e ganhamos doces, cookies e chocolates. O meu pai olhou-me a mim e disse: “Isso tudo só pode ser ideia sua, Isabelle.” Ele estava certo e eu sorria ao ouvir-lhe. Feliz.

Com o tempo a minha família e alguns amigos chamaram-me a mim de Farfalla. Sempre sorrio, em minh’alma por lembrar-me daquele tarde.